Os Princípios Do Modelo Neoconservador

Os Princípios Do Modelo Neoconservador 1

Os Princípios Do Modelo Neoconservador

A chegada ao governo de esquerda na América Latina explica-se pelo mal-estar do cidadão frente ao padrão neoliberal. Para compreendê-lo, o artigo explora os critérios desse esquema de governança neoconservador criado em meados dos anos 70 por autores como Samuel Huntington.

Com a idéia de que o Estado viu-se ultrapassado por um excedente de demandas, o objetivo é transferir mais e mais recursos ao mercado, como por exemplo, por intermédio da privatização dos serviços públicos. Isso auxilia pra despolitizar as relações sociais, separa-se de modo taxativo da economia, da política e limita a participação.

Em suma, esse paradigma, ao confiar-se no mercado como organizador das relações sociais, retira poder aos cidadãos e limita seriamente a sua know-how de ação. Em fins de 2005, a maioria dos governos sul-americanos desenvolviam o que se tem denominado como a “esquerda progressista”.

A pergunta que cabe fazer, dessa maneira, é se o atual assunto significa uma nova era de democratização ou se se trata mais de um sopro que prenuncia recentes tempestades. A resposta não é evidente. A maior quantidade desses governos (com exceção do de Lucio Gutiérrez, neste instante derrubado) têm um certo sentimento de “esquerda liberal”. Mas trata-se, concretamente, de uma esquerda sem programa, sem organicidade ou projeto, salvo oposição ao neoliberalismo, as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e à hegemonia dos EUA.

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Depois de duas décadas de neoliberalismo, esses novos governos ambicionam, através de reformas graduais, exceder as sequelas de 90, atingir a firmeza econômica e avançar pela estrada da democratização da comunidade. Depois da recessão da dívida dos anos 80, começou um novo tempo de reformas do Estado latino-americano.

Mas, desta vez, elas foram feitas com a inspiração do neoliberalismo econômico e o conservadorismo político. Procurou-Se fazer um Estado mínimo, o que aliviou de seu papel de planejador, de “empresário”, provedor de serviços públicos, redistribuidor de riquezas e proveitos sociais e, enfim, como mediador das competições de interesses e os conflitos sociais.

Essas mudanças são o efeito do final da Guerra Fria, o que levou a uma modificação ideológica no povo e a uma nova correlação de forças no âmbito internacional. A partir de dessa forma, surgiu uma nova ordem mundial e consolidou-se um novo padrão de acumulação de riquezas: o capitalismo financeiro. A nova reforma do Estado conservou intactas as corporações e as relações políticas tradicionais e reforçou a concentração do poder político e econômico.

Procurou despolitizar a comunidade e, em geral, desarticular as forças sociais e políticas que poderiam ser um bloqueio para o funcionamento do mercado. Ao inverso do que deveria ser uma reforma de caráter liberal, a reforma conservadora do Estado não favoreceu as políticas de distribuição de poder pela nação.

Pelo inverso, diminuiu os espaços de participação, transformou as decisões políticas em decisões técnicas e disoció, assim, os estilos políticos dos problemas sociais. Esta reforma foi feita em estreita conexão com o começo neoconservador de governança. O defeito dessa “paixão participativa”, que se generaliza além da medida, se chega a uma circunstância de “sobrecarga” do sistema político, que se acha saturado e até mesmo se torna ingobernable.

Ao mesmo tempo, se desemboca em uma “crise de liquidez” do Estado, que agora não poderá responder às pressões sociais. De acordo com Huntington, quando as demandas são muito imensas, minam a eficiência e a autoridade política. As crises políticas e econômicas dos anos 70, seria pois o resultado de uma sobrecarga de demandas pras quais ele respondeu com o aumento dos gastos públicos e a intervenção estatal, o que provocou, inevitavelmente, a recessão fiscal. Em novas palavras, uma participação política excessiva, produz uma pressão ideológica mais potente sobre isto os assuntos públicos e salienta a inexistência de controle das atividades governamentais.

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